Elementos da Justificação Kantiana do Estado de Direito na Metafísica dos Costumes: silogismo prático, contrato originário, liberdade e princípios do direito

Autores

  • Tiago Felipe Ambrosini Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

DOI:

https://doi.org/10.18815/sh.v15i27.774

Palavras-chave:

Kant, direito, moral, estado de direito, liberdade externa

Resumo

Este artigo examina a fundamentação kantiana do Estado de Direito a partir da Doutrina do Direito da Metafísica dos Costumes. Kant propõe que o estado jurídico não é um fato empírico, mas uma exigência racional derivada do postulado do direito público e da liberdade externa. Parte-se do silogismo prático como modelo explicativo, destacando seus limites ao tentar justificar a passagem do estado de natureza ao estado civil. A ideia de um contrato originário é abordada como uma representação racional, não empírica, sendo crucial para compreender a união das vontades sob leis públicas. A insuficiência dessa fundamentação conduz à análise do conceito jurídico de liberdade como ponto de partida lógico e normativo. São exploradas também as três dimensões do direito — exterioridade, reciprocidade e universalidade — e sua relação com os princípios morais, especialmente o imperativo categórico. O artigo conclui que a liberdade externa, entendida como autonomia sob leis públicas, representa a base última do Estado de Direito, cuja legitimidade repousa na razão prática e não em convenções empíricas. Assim, Kant não busca explicar a origem do Estado, mas sua justificação normativa enquanto instância legítima de coerção racional.

Biografia do Autor

Tiago Felipe Ambrosini, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Doutorando em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Referências

ALMEIDA, Guido Antônio de. Sobre o princípio e a lei universal do Direito em Kant. Kriterion: Revista de Filosofia, v. 47, p. 209-222, 2006. DOI: https://doi.org/10.1590/S0100-512X2006000200002. Disponível em: https://www.scielo.br/j/kr/a/S77PPJMK4xcfZJzNh35s8nJ/?format=html&lang=pt.

BAGNOLI, Carla. The Form of Practical Reasoning. In: Thinking and Calculating: Essays in Logic, Its History and Its Philosophical Applications in Honour of Massimo Mugnai. Cham: Springer International Publishing, 2022. p. 433-450.

BECKENKAMP, Joãosinho. O direito como exterioridade da legislação prática em Kant. ethic@-An international Journal for Moral Philosophy, v. 2, n. 2, p. 151-171, 2003. Disponível em: https://philpapers.org/rec/BECODC.

BECKENKAMP, Joãosinho. Sobre a moralidade do direito em Kant. ethic@-An international Journal for Moral Philosophy, v. 8, n. 1, p. 63-83, 2009. DOI: https://doi.org/10.5007/1677-2954.2009v8n1p63. Disponível em: https://periodicos.ufsc.br/index.php/ethic/article/view/1677-2954.2009v8n1p63.

BYRD, Sharon; HRUSCHK A, Joachim. Kant’s doctrine of right: a commentary. New York: Cambridge University Press, 2010.

CARANTI, Luigi. Kant’s Political Legacy. Human Rights, Peace, Progress. Wales: University of Wales Press, 2017.

DURÃO, Aylton Barbieri. A fundamentação kantiana do estado de direito. Philosophica: International Journal for the History of Philosophy, v. 12, n. 24, p. 5-20, 2004. DOI: https://doi.org/10.5840/philosophica200412242. Disponível em: https://www.pdcnet.org/philosophica/content/philosophica_2004_0012_0024_0005_0020.

GUYER, Paul. Kant's Deductions of the Principles of Right. In: TIMMONS, Mark (Ed.). Kant's Metaphysics of morals: interpretative essays. Clarendon Press, 2002.

GUYER, Paul. Kant. 2. ed. Londres: Routledge, 2014.

HÖFFE, O. O imperativo categórico do direito: uma interpretação da “Introdução à Doutrina do Direito”. Studia Kantiana, v. 1, n. 1, p. 203-236, 1998.

HORN, Christoph. Qual o fundamento da filosofia política de Kant? Studia Kantiana, v. 7, n. 8, p. 39-53, 2009. DOI: https://doi.org/10.5380/sk.v7i8.88577. Disponível em: https://revistas.ufpr.br/studiakantiana/article/view/88577.

KANT, Immanuel. Fundamentação da metafísica dos costumes. Tradução com introdução e notas por Guido Antônio de Almeida. São Paulo. Discurso Editorial e Barcarola, 2009.

KANT, Immanuel. Metafísica dos costumes-Parte I e II. Editora Vozes Ltda, 2013.

MARTÍNEZ, Luciana. Kant e o método matemático. Kant e-prints, v. 17, n. 3, p. 79-94, 2022. DOI: https://doi.org/10.20396/kant.v17i3.8673612. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/kant/article/view/8673612.

PELLIZZARO, Nilmar. O contrato originário no Direito político de Kant. Revista Dissertatio de Filosofia, v. 48, p. 157-182, 2018. DOI: https://doi.org/10.15210/dissertatio.v48i0.12762. Disponível em: https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/dissertatio/article/view/12762.

RIPSTEIN, Arthur. Force and Freedom: Kant’s Legal and Political Philosophy. Cambridge, MA: Harvard University Press, 2009.

SANTO, Marilia Espírito. O conceito de Máxima. In: Comentários às obras de Kant: Fundamentação da Metafísica dos Costumes. LOPES, Egyle Hannah do Nascimento; KLEIN, Joel Thiago (Orgs.). Florianopolis: NétipOnline, 2022.

TORRES, João Carlos Brum. Rousseau e Kant, teóricos do contrato social. In: FONSECA, Ana Carolina da Costa et al. Ética, política e esclarecimento público: ensaios em homenagem a Nelson Boeira. Porto Alegre, RS. Editora Bestiário, 2012.

Downloads

Publicado

2025-12-11

Como Citar

Ambrosini, T. F. (2025). Elementos da Justificação Kantiana do Estado de Direito na Metafísica dos Costumes: silogismo prático, contrato originário, liberdade e princípios do direito. Saber Humano: Revista Científica Da Faculdade Antonio Meneghetti, 15(27), 178–197. https://doi.org/10.18815/sh.v15i27.774